Hino a Caridade

04/07/2017

1Coríntios 12,31 - 13,13

Por Joelson

São Paulo traçou um belíssimo quadro da caridade: "A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Cor 13,4-7).

O Apóstolo vai continuar: "Se não tivesse a caridade, nada seria...". E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude... "se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria". A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais: "Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).

O Catecismo da Igreja Católica vai ensinar que a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. Jesus fez da caridade o novo mandamento, amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: "Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor" (Jo 15,9). E ainda: "Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).

Trata-se do amor fraterno, o amor para com Deus não é diretamente considerado, mas está implicitamente presente, no versículo 13, em ligação com a fé e a esperança. Aos termos gregos correspondentes, eros, philia, Paulo preferiu um menos, frequente e mais neutro, ágape. Não canta o amor conjugal, como no Cântico dos Cânticos, nem o amor de companheirismo que Davi cantou (2Sm 1,19-27), nem outros amores humanos, ainda que nobilíssimos.

A diferença do amor passional e egoísta, a caridade (ágape) é um amor de dileção, que quer o bem do próximo. A sua fonte está em Deus, que amou primeiro (1Jo 4,19) e entregou seu Filho para reconciliar consigo os pecadores (Rm 5,8; 8,32-39), tornando-os seus eleitos e seus filhos.

Atribuído primeiramente a Deus, esse amor, que é a natureza mesma de Deus, encontra-se, ao mesmo título, no Filho, que ama o Pai como é amado pelo Pai, compartilha o amor do Pai pelos homens, homens pelo quais ele se entregou. Ele é também o amor do Espírito Santo, que o derrama nos corações dos cristãos, dando-lhes cumprir o preceito essencial da Lei, que é o amor de Deus e do próximo, pois o amor dos irmãos, e até dos inimigos (Mt 5,43-48), é a consequência necessária e a genuína prova de amor a Deus, é o mandamento novo que Jesus deixou (Jo 13,34) e que os seus discípulos não cessa de incutir. É com esse amor que Paulo ama os seus, e é por eles amado. Esse amor, baseado na sinceridade e na humildade, no esquecimento e no dom de si, no serviço e no mútuo sustento, deve-se provar por atos e observar os mandamentos do Senhor, tornando a fé efetiva.

Tal amor é o vínculo da perfeição e "cobre os pecados". Apoiando-se no amor de Deus, o ágape nada teme, exercendo-se na verdade, ele dá o genuíno sentido moral e abre o homem ao conhecimento espiritual do mistério de Deus e do amor de Cristo, que ultrapassa todo entendimento. Fazendo habitar na pessoa Cristo e toda a Trindade, esse amor alimenta uma vida de virtudes teologais, das quais a caridade (ágape) é a rainha, pois ela nunca passará, mas se expandirá na visão, quando Deus concederá aos seus eleitos os bens que Ele prometeu aos que o amam.

Como gênero literário, o hino à caridade parece-se com o louvor grego. Do A.T. para comparação, convém citar, antes de tudo, o poema de Ben Sirac, "Melhor que os dois" (Eclo 40,18-27): o poeta vai elencando duplas de valores e acrescenta um terceiro elemento "melhor que os dois"; até chegar ao décimo, melhor que os dois e que os vinte e nove, o "respeito de Yhwh". Mais frequente é o elogio da Sabedoria por parte de autores sapienciais: a busca fracassada e resolvida (Jó 28), grande parte do livro da Sabedoria, os vinte e um atributos (Sb 7,22-23).

Podemos dividir o canto em três partes: a superioridade da caridade (vv. 1-3), suas obras (vv. 4-7) e sua perenidade (vv. 8-13).

13,1 Pensa em sua experiência de viajante que o pôs em contato com diversas línguas. Imagina os anjos falando mutuamente numa língua celeste, não na que usa para comunicar-se com os homens. Os instrumentos musicais citados são talvez de percussão: de qualquer modo, não produzem uma linguagem articulada.

13,2 Mistérios são revelados ou explicados ao profeta, como afirma Amós (3,7). Ezequiel e Zacarias contam suas visões; Daniel acrescenta explicações de um anjo. Depois o texto menciona a fé taumatúrgica anunciada por Jesus (Mc 11,23 par.).

13,3 A terceira é paradoxal (alguns manuscritos lêem "gloriar-me" = por vaidade): é possível semelhante entregassem amor? Por convicção estóica, niilismo, louca ostentação? Pensa-se nos jovens na fornalha (Dn 3) ou sete irmãos (2Mc7), não para negar-lhes o amor; Paulo imagina uma hipótese em que o paradoxo acrescenta ênfase à afirmação. Nós podemos pensar em movimentos por cansaço ou desprezo renunciam aos bens, nos quais se queimam como gesto de protesto; não seria semelhante entrega a grande prova de amor? Paulo passa do ato em si ao espírito que o anima.

13,4-7 Quinze características do amor, nas quais a abundância conta mais que a exatidão. Oito são enunciados negativos, o que se deve; há um quarteto positivo final. Dado o caráter de série, poderíamos encontrar breves paralelos ou ilustrações em conselhos sapienciais e em relatos; por exemplo, "o amor dissimula as ofensas" (Pr 10,12); "lábios honrados conhecem de afabilidade" (Pr 10,32); "o reflexivo sabe aguentar" (Pr 14,17) etc.

13,8 Os carismas válidos em si ficam relativizados ao ser comparados com a plenitude e a perfeição do amor, são expedientes provisórios. Paulo opõe o momento presente ("agora", v. 12), em que os coríntios, de modo pueril, dão importância exagerada aos carismas, e o futuro ("depois", v.12), em que eles atribuem a preponderância às virtudes essenciais que são a fé, a esperança e a caridade.

13,12 Os espelhos antigos, de metal polido, não eram tão perfeitos como os nossos de mercúrio. Ver frente a frente significa o contato pessoal de Moisés com Senhor (Nm 12,6-8); era o resultado da luta de Jacó (Gn 32,32) e era a esperança do salmista (17,15).

13,13 A persistência da fé e da esperança mostram que Paulo não pensa aqui na vida depois da morte. O agrupamento das três virtudes teologais, que aparece em São Paulo desde 1Ts 1,3 e lhe é, sem dúvida, anterior, volta frequentemente nas epístolas do Apóstolo, com alterações de ordem (1Ts 5,8; 1Cor 13,7.13; Gl 5,5s). Além disso, encontram-se juntos fé e amor (1Ts 3,6; 2Ts 1,3), constância e fé (2Ts 1,4), caridade e constância (2Ts 3,5; cf. 2Cor 13,13).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Bíblia de Jerusalém - Edições Paulus

Bíblia do Peregrino - Edições Paulus

Catecismo da Igreja Católica - Edições Loyola

Por Joselito

CÂNTICO AO AMOR

Neste cântico das três qualidades do amor, o autor prefere o Ágape, embora todos sejam valiosíssimos, o Eros que expressa o amor carnal, o Philio, amor fraternal e o Ágape, amor supremo, incondicional, Paulo apresenta o Ágape como superior a todas as expressões do amor.

"Aspirai aos carismas mais valiosos. e agora vos indicarei um caminho muito melhor" ( I Cor. 12,31)

Em nossos tempos que valoriza tantos contra valores nos meios de comunicação, nas mídias sociais, nas relações das pessoas, contra-evangelho, não poderia ser mais atual e próprio, refletir Paulo recomendando aspirar carismas mais valiosos, carismas que vêm do alto, por vocação somos destinados ao alto, como Paulo mesmo diz, "Nós nascemos para o alto". Os valores que o mundo nos apresenta são frágeis, vulneráveis, temporais, quando não são enganadores, verdadeiras ciladas do pecado. Os valores recomendados por Paulo são percebidos na vivência do evangelho, na experiência da intimidade com Cristo, na unção do Espírito Santo, ele que é o autor dos carismas valiosos, "SEM A LUZ QUE ACODE, NADA O HOMEM PODE".

"Temos a fé, a esperança e o amor: dessas três coisas, a maior de todas é o amor"

No texto I Coríntios, 13,1-13, onde temos o grande cântico ao amor, examinamos três divisões temáticas. Nos versículos 1-3 a superioridade dessa expressão do amor que supera as línguas dos homens e dos anjos, o dom da profecia, o conhecimento dos mistérios e das ciências, a fé que remove montanhas, 4-7 a sua qualidade que ultrapassa todos os padrões desse sentimento, desatrelado das imperfeições, se apresenta paciente, amável, sem inveja, sem exibicionismo, sem orgulho, sem conveniências e interesses próprios, sem ira, rancor, injustiça, se apraz na verdade e na disposição de tudo desculpar, crer, esperar e suportar, os versículos 8-13 apresenta a durabilidade, das três grandes virtudes, fé, esperança e amor, é o amor maior, a nossa fé é imperfeita, cheia de falhas, de altos e baixo, destemperada tantas vezes, hora quente, hora morna e até fria, inconstante, a esperança muitas vezes cheias de desconfianças, incertezas, "As profecias serão eliminadas, as línguas cessarão, o conhecimento será eliminado porque conhecemos imperfeitamente, profetizamos imperfeitamente", a fé nos faz crer naquilo que não vemos, a esperança enquanto não temos, são imperfeitos, "Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá", somente ficará o amor.

É esse texto uma belíssima poesia, cantada em prosa e versos e nos faz mergulhar na mais profunda e bela descrição do amor.