Sabedoria da Cruz

04/07/2017

1 Corintios

Por Edson França

Deus concedeu à virgem Maria a virtude de dar a luz um filho ao qual se chamaria Emanuel "Deus conosco", que veio para tirar o pecado do mundo.

Durante a sua jornada Jesus pregou, ensinou aos seus discípulos e todos os que o seguiam, fez milagres que ninguém seria capaz de fazer, como ressuscitar os mortos, e tudo isso foi feito por obediência ao Deus pai, para que quando chegada a hora, Jesus fosse entregue em "sacrifício" para tirar os nossos pecados.

No Getsêmani Jesus orou se entregando ao pai, tomando as nossas dores "Sobre seu corpo levou todas as nossas doenças; contudo nós o julgamos culpado e castigado por Deus. Pela mão de Deus ferido e torturado, mas de fato, ele foi transpassado por causa das nossas próprias culpas e transgressões, foi esmagado por conta das nossas iniquidades; o castigo que nos propiciou a paz caiu todo sobre ele, e mediante suas feridas fomos curados." (Isaias 53-5).

Chegada a hora, Jesus foi torturado, crucificado, morto e sepultado onde segundo a Lei romana a Cruz era a forma de pena de morte para os grandes criminosos condenados, mas com a crucificação de Jesus à Cruz, passou a ter um novo significado como um símbolo de salvação, libertação... A igreja passou a venerar a Cruz professando nela sua esperança: "Salve, ó Cruz, única esperança" segundo o Catecismo Católico parágrafo 617.

Está escrito em I Coríntios 1-18 que "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." Como poderia um símbolo de humilhação se tornar salvação? Cristo crucificado é a prova viva de amor pela humanidade onde nem todos serão capazes de compreender tal amor " tal sacrifício". Mas quem a compreende tem a certeza de salvação.

A cruz tem um profundo significado de obediência e fidelidade de Cristo ao projeto do Pai. Ele esvazia-se de Si e por amor entrega-se à humanidade. O símbolo da Cruz não é para ser utilizado como um amuleto, de forma supersticiosa, mas como sinal de sua adesão ao discipulado de Cristo, andar com Cristo, servir a Cristo, retribuindo da melhor forma esse amor divino.

A aparente derrota, humilhação e dor, na verdade, resultam em vitória, glória e alegria. Jesus não fora subjugado pelos romanos, como pensaram os sacerdotes e escribas, mas semeara as sementes do amor, vida, paz, salvação e esperança. A mensagem da cruz é loucura para muitos porque, em oposição ao que o mundo diz: "Há vários caminhos para salvação do homem", a mensagem da cruz grita em alta voz, que somente através da cruz de Cristo o homem tem os seus pecados perdoados e vida eterna com Deus.

Referências

https://www.catolicismoromano.com.br/content/view/246/48/

https://www.salesianos.br/news/entenda-o-verdadeiro-sentido-da-cruz-para-os-catolicos/

https://cdltiangua.blogspot.com.br/2010/03/significado-da-cruz-para-os-catolicos.html

https://prazerdapalavra.com.br/mensagens/por-livros-da-biblia/novo-testamento/329-1-corintios/capitulo-1/6440-1-corintios-118-25-a-mensagem-da-cruz-alcenir-anselme-da-mota

Por Eduardo Souza

Do alto madeiro, Jesus Cristo exerceu a plenitude da sua missão, pois, em meio ao desprezo da sociedade à Sua pessoa, Ele pediu misericórdia de Deus para os seus algozes, prometeu a vida eterna para o ladrão arrependido, ratificou a Mãe de Deus como mãe do mundo, morreu pela remissão dos pecados da humanidade e preparou a Sua ressurreição. Contudo, para Judeus e gregos, a Cruz é vista como derrota, estupidez, loucura, morte, algo negativo. "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que se salvam, a cruz é poder de Deus" (1 Cor 1, 18). Ainda hoje, pessoas de outras religiões e cristãos não católicos não entendem o valor da cruz, nela é guardada uma sabedoria que não é respondida pela sabedoria humana.

Para São Paulo, a cruz não representa somente a morte de Jesus, "mas também a sua ressurreição, compreendidas como faces de uma mesma moeda" (BARBAGLIO, 1989, p.162). Porém, nós católicos somos identificados de forma pejorativa como "o povo da cruz", que é a nossa marca por assim dizer. Para o cristão, a cruz é "páscoa" e, portanto, passagem. Deus que se fez carne, passou pela paixão, morte (de cruz) e ressurreição, e é a ressureição que diferencia Jesus Cristo dos profetas. Só o filho de Deus venceu a morte, e morte de cruz. O calvário de Jesus é uma violenta demonstração de amor pela humanidade. Assim, "[...]Cristo Jesus, que se tornou para nós sabedoria proveniente de Deus, justiça, santificação e redenção" (1 Cor 1, 30). Ou seja, a cruz não é derrota nem morte, pelo contrário, é luz da esperança e porta da salvação.

Em 1 Coríntios, Paulo afirma que o mundo não reconheceria Deus por meio da sabedoria, pois, "os judeus pedem sinais, e os gregos andam em busca de sabedoria, nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura, mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus" (1 Cor 1, 22-24). Espelhados na sabedoria divina, e não humana, torna-se possível entender esse mistério preso à cruz, também por isso, explica-se a largura da incompreensão em relação ao zelo litúrgico do católico para com a cruz. Todavia, não há compreensão pelo caminho do intelecto puro e simples. Acerca disso, Paulo diz: "o homem psíquico não aceita o que vem do espírito de Deus. É loucura para ele; não pode compreender, por isso deve ser julgado espiritualmente. O homem espiritual, ao contrário, julga a respeito de tudo e por ninguém é julgado" (1 Cor 2, 14-15). A razão não dá conta em pensar que o fraco se faz forte, a loucura torna-se ato salvífico, é uma lógica inconcebível para a razão humana.

Como a crucificação do filho de um carpinteiro pode ter algo de divino para o homem? Porque "o que é loucura no mundo, Deus escolheu para confundir os sábios; e o que é fraqueza no mundo, deus escolheu para confundir que é forte" (1 Cor 1, 27). Não se pode entender o projeto divino com o olhar míope do homem, pois, normalmente, toda fortaleza é proveniente da realeza e do poder sobre os homens. Daí a dificuldade de as pessoas entenderem a sabedoria da cruz.

Em Coríntios, o apóstolo mostra que Judeus e gregos procuravam seguranças humanas, milagres e sinais, o que impede a adesão humana à Cristo (Bíblia Jerusalém, p. 1994). Ainda que milagres e sinais venham acontecendo ao longo dos séculos, a "adesão humana" à cruz de Jesus continua contrariando os escritos paulinos. Ora, até parte dos cristãos defenestram os católicos pelo respeito ao madeiro sagrado, quiçá irmãos de outras religiões.

Para Barbaglio (1989, p.164), "a vida cristã, portanto, não é fuga nem evasão da história e do mundo, mas presença viva e sofrida no meio dos conflitos, das contradições, das esperanças e das dúvidas, das angústias e dos fracassos próprios da vida terrena". A fé não blinda ninguém das fraquezas e da concupiscência, portanto, a cruz nos impele ao não pecado, à conduta reta, pois o sofrimento de Cristo na cruz não pode ser desconsiderado. Porém, eis que a porta se abriu, e Deus filho é esta porta, pois Ele é o pastor que conhece suas ovelhas e mostra o caminho da salvação. Pela passagem da cruz, comemoramos a ressureição, a vida, não a derrota, mas sim, a vitória da sabedoria de Deus, porque do que parecia fraco, Ele mostrou a sua força, "Pois está escrito: destruirei a sabedoria dos sábios [...]" (1 Cor 1, 19)

Cada um carrega a sua cruz com fé e esperança em conquistar a vida eterna; foi para a salvação que Deus nos criou e nos torna filhos pelo batismo, e por sua honra e glória é que, seguindo a verdade, que é Jesus crucificado e ressuscitado, é que o Espírito Santo de Deus infunde em nós a sabedoria para vivermos na graça por Deus Uno e Trino.