Sobre a ressurreição dos mortos

04/07/2017

1 Corintios

Por Luciano Barbosa

A crença de que os mortos irão ser trazidos de volta à vida, é um componente comum de diversas culturas. Nas diversas religiões, o homem encara a morte como uma passagem ou viagem de um mundo para outro. Para a Filosofia, a sobrevivência do espírito humano à morte do corpo físico e a crença na vida e no julgamento após a morte já era encontrada na filosofia grega, em especial em Pitágoras, Platão e Plotino. Já o judaísmo crê na sobrevivência da alma, mas não oferece um retrato claro da vida após a morte, e nem mesmo se existe de fato. O judaísmo é uma religião que permite múltiplas interpretações. "Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. (At 23,8)". Algumas correntes acreditam na reencarnação, outras na ressurreição dos mortos.

E nós, cristãos católicos, no que acreditamos?

O apóstolo São Paulo em sua primeira carta à comunidade de Corínto, onde muitos não criam na verdade da ressurreição dos mortos, centrava-se na morte física e na ressurreição de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, que Se fez homem. Não era algo pregado do próprio Paulo, que fosse pensamento seu, o que ele ensina à comunidade de Corínto é algo que ele mesmo diz ter recebido do próprio Cristo ressucitado. Cristo sofre em nosso lugar a fim de suportar a ira justa de Deus contra nós por causa do pecado. A ressurreição confirma o fato de que a morte de Cristo pagou todo o preço por este nosso pecado. Paulo não se importava com quem levava o crédito pela fé dos coríntios. Para ele, importava apenas que os coríntios cressem naquele que o enviou. Alguns dos coríntios estavam ensinando que não há ressurreição, poderiam até estar ensinando que só exitisse a ressurreição espiritual e não física. Seja qual for o caso, eles contradiziam o ensino essencial de que Cristo ressuscitou fisicamente dentre os mortos e que, quem crer nEle, algum dia, também ressuscitará.

Não basta crer em alguma coisa simplesmente. É essencial que aquilo em que se crer seja verdadeiro; é importante o objetivo de nossa fé. Não pode um Jesus morto livrar-nos da ira de Deus, pagar com seu sangue o preço de nossos pecados e desenvolver uma relação conosco, para isso, é preciso estar vivo e, por isso, Ele ressucitou! "Vâ seria a nossa fé e nossa pregação se este fato não fosse verdadeiro, diz São Paulo. (cf.1Cor 15,14)".Sem a ressurreição de Cristo, só a sua morte não nos teria livrado do pecado. Sem a ressurreição de Cristo, a fé cristã não traz perdão nem vida futura na presença de Deus.Somos os mais miseráveis de todos os homens. Se os cristãos não tiverem esperança para o futuro, os pagãos podem, legitimamente, considerá-los tolos, uma vez que eles sofrem por nada. Uma vez que Cristo ressuscitou dos mortos, aqueles que adormecerem em Cristo pelo batismo, têm a garantia de sua própria ressurreição. "Como Cristo ressurgiu verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim ele próprio ressuscitará a todos no último dia, com um corpo incorrupitível; 'Aqueles que fizerem o bem ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticam o mal, para a condenação.(cf. Jo 5,29)' (cf. CIC 998,1002,1003)"

Os cristãos, com a força vivificante da cruz, devem vencer, em si mesmos, potências das trevas e atualizar a vitória de Cristo sobre o inferno e sobre a morte, para fazer resplandecer em todos os campos da existência, e também nas bases da cultura, as luzes da ressurreição. O próprio Paulo nos lembra; Por Adão, o primeiro homem, o pecado e a morte entram no mundo, o segundo Homem, Jesus Cristo, no sacrifício da cruz, exterminou o pecado e a morte, e trouxe esperança de vida e ressurreição para aqueles que Nele creem. "À espera da ressurreição, o corpo e alma do fiel participam já da dignidade de pertencer a Cristo. Daí a exigência do respeito para com o préprio corpo e também para com o corpo de outrem, particularmente quando ele sofre (cf. CIC 1004)". Esta ressurreição, não se trata de um viver novamente como o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7,11-17), ou a ressurreição de Lázaro, irmão de Marta e Maria e amigo do Senhor (cf. Jo 11,43-44), mas sim uma vida gloriosa em Cristo, onde não mais irá existir a morte, pois esse foi o último inimigo a ser vencido com a ressurreição de Jesus. Na parusia, o corpo terreno cheio de fraquezas, corrupções e ignomínias, ressucitará vigoroso, incorruptivel e glorioso. As primeiras coisas terão passado e Deus fará novas todas as coisas. Os mortos, em Cristo, ressuscitarão primeiro, depois, todos os vivos serão instantaneamente transformados em seu corpo imortal na volta de Jesus. Assim, o corpo e a alma do homem, graças ás energias vivificantes do pneuma divino, viverão na ressurreição que não tem fim. Esta ressurreição opera uma mudança na natureza decaída pelo pecado, abre uma possibilidade prodigiosa, a de santificar a própria morte, a qual, agora, não é mais obstáculo, mas se torna porta de entrada para o Reino dos Céus.

Por Manoel Guedes

... se Cristo não ressuscitou vazia é a nossa pregação, vazia também é a nossa fé, e se não há ressurreição dos mortos também Cristo não ressuscitou...

Meus amados irmãos, estas maravilhosas palavras de verdades, anunciadas por Paulo, e com certeza inspirada pelo espírito Santo, definem perfeitamente todo sentido do ser cristão, e nos revela acima de tudo, o caminho da salvação, e a visibilidade de nossa Igreja. Então a visibilidade de nossa Igreja está na paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Este capítulo nos mostra acima de tudo, a tristeza de Paulo ao confrontar-se com sua comunidade religiosa, desviada de seus ensinamentos, desviada de Cristo, pior, comungando com várias seitas e costumes pagãos.

A advertência de Paulo à comunidade de coríntios, sobre as verdades da Ressurreição de cristo, nos deixou um legado de relevantes esclarecimentos para nossa Igreja nos dias de hoje, onde vivemos práticas semelhantes.

..Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram...

Por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. Esta é primeiramente a justificação que nos restitui a graça de Deus, "a fim de que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova.